Ultimamente eu tenho sonhado e imaginado muito o mundo acabando. Eu, como um dos últimos amaldiçoados que ainda vivem nessa pocilga me torno um errante. Totalmente sem responsabilidade e cidadania, ando por aí, ajudando quem posso, e matando, idem.
Logicamente, nos meus sonhos egocêntricos, quem eu considero sobrevive, e eu demonstro a eles quem eu realmente sou. Mais logicamente ainda, explico que o monstro sanguinário foi desenvolvido só por causa das circunstâncias do mundo atual, e não devido a minha verdadeira naturera.
Quem me dera. Eu sem quem sou. E sei quem eu adoraria ser. Adoraria ser esse cara, dizendo "vai se foder" pra qualquer um, sem ter que bancar o político ou com medo que os outros achem que eu sou egoísta. Adoraria ter as "circunstâncias" pra isso, o que meu covarde modo de viver me proíbe. Adoraria simplesmente matar quem me torra o mínimo saco. Adoraria. Mesmo.
Quem sabe um dia eu não tomo coragem e vivo sem o coração dividido em mil pedaços e com o cérebro inteiro. A mão suja de sangue eu dispenso, isso é pra Hollywood.
Quem sabe um dia a madrugada solitária não volta, e eu vivo em paz.
O amor dói. E como dói, cara-pálida.
Depois que achamos aquela pessoa que nos faz bem, ficamos felizes. E eu vejo muita gente que começa a reclamar quando o outro lado da história esta estranho, distante. "Se continuar assim, eu separo". Pois é amizade, as vezes é bom perguntar o porque aquela pessoa esta estranha; infelizmente o ser humano é egoísta e sempre acha que o problema é com ele. Aí conversamos, e vemos que existem outros problemas que não tem porra nenhuma a ver com o relacionamento em si. A pessoa esta estranha e distante porque esta cansada, precisando de umas férias - mas não de você, seu idiota egocêntrico. Férias do resto do mundo; por sinal, ela só sente em paz do seu lado. As breves férias que existem são do seu lado, ouvindo você respirar. E o ser humano é tão, mas tão imbecil que justamente nestas horas fica triste; o seu amor não está dando tudo o que você merece, né? Pensando em ir pra praias mais calmas e quentes? Bom, se pensa assim, não é amor, my love. Justamente nestas horas que a gente tem que ser mais forte. É muito fácil esquecer que uma relação tem dois lados. Você recebe apoio, e quando for necessário tem que retribuir na mesma moeda. Não importa quanto tempo dure. É nessas horas que se percebe o quanto se ama alguém. Que não importa que o mundo está uma merda. Você trabalha e estuda que nem um camelo aidético, se esforça ao máximo, e mesmo assim o Boi Tatá não alivia a sua vida. E justamente quando você quer um tempo do resto, o seu amor está pior do que você. Isso dói? Pra caralho, irmão. Mas fazer a pessoa amada rir nessas horas é melhor do que qualquer droga no mundo. Ouvir "como você me aguenta?", pensar e raciocinar sobre o assunto, e chegar a conclusão que você não precisa aguentar ninguém. Está lá porque quer. Isso é a melhor coisa do mundo. Tá bom, uma das cinco melhores, vai. Vem logo após viajar e comer.
É isso. Apesar de ter sido um dia dolorido, em que absolutamente tudo deu errado, foi um ótimo dia. Principalmente porque os dois lados estão parecidos, e um ainda tem forças pra sustentar o outro.
Telefone cortado, e muitos problemas e preocupações na cabeça. Resolvi sair de madrugada e ir ao orelhão, precisava ouvir a sua voz. Ouvi, seca e insensível, exatamente do jeito que eu imaginava que ia ser.
Voltei para casa no ritmo mais lento possível, apreciando o frio cortante e a dor dentro de mim. Tremia mais do que o frio me dizia para tremer, e senti o chamado da noite, me convidando a andar sozinho, no silêncio, no meu mundo. Mas mesmo assim, voltei pra casa e continuei com minhas armaguras do estúpido cérebro e do ainda mais estúpido coração.
Agora me ficou a vontade de andar de madrugada, no frio. No horário que até assaltante está dormindo, embaixo do cobertor. Sentir a cidade vazia, quieta e sem aquela encheção de saco de todos os dias, as mentiras que fazem o rumo da vida de todos, a palpitação da cidade grande.
Andar, respirando o ar frio, acender um cigarro pra aquecer e acabar com os pulmões, um pé atrás do outro, indo para sabe lá Deus onde. Aproveitar aquele intervalo de duas ou três horas que a cidade está morta, e ver o mundo como ele realmente é: frio, distante e solitário. Pelo menos o meu mundo é assim, e mais do que nunca, agora, eu sinto vontade de voltar a ele. Mas o medo é maior, até o mais solitário dos vermes um dia sente falta dos da mesma espécie.
Me dá saudade do tempo em que me era possível sumir, andar por si só, e aproveitar a quietude da madrugada. Pelo menos nas minhas madrugadas, nunca existe trabalho, namoro, amigos, parentes. Nada que possa nos causar preocupações. A mente fica vazia, indo conforme a inércia dos pés. Mas há anos atrás, eu prometi que não seria mais assim, tentaria ser um animal social. E cada vez mais eu percebo que não nasci pra isso, por mais que esteja rodeado de gente, vou sempre me sentir aleatório, dispensável, sempre andando na beirada. Agora, pelo jeito, eu vou ter mais uma chance de provar a minha vontade de ter alguém. Mas aquela estúpida voz interna fica gritando "você é sozinho, e vai morrer assim", e cada vez mais eu acredito nela.
Sei que sou uma pessoa acima da média, mas isso não quer dizer que isso seja bom. A média pode ser muito baixa, e ter apenas um dedo num país de manetas não quer dizer que você pode ser digitador. E sou digno o bastante para saber que não sou suficiente, sempre vou voltar ao mesmo ponto de origem.
Tempos vão e vem, e sempre acabo magoando todos. E nem todos são tão sozinhos para desculpar erros. A maioria tem mais de uma pessoa ao lado, e não liga tanto se perder uma ou outra. E o Ka é assim, uma roda. Por mais lento que seja, um dia volta ao mesmo ponto. E não adianta fugir ou segurar essa roda, ela gira ao redor da gente, nós somos o Ka.
Agora, me resta tentar mais uma vez. Mas existe a certeza que um dia o Ka vai vir, e aí eu sei, só me restará a madrugada. Assumir o que sou, e encarar isso. Todos somos monstros no fundo, e acho que algum dia eu vou estar preparado pra assumir o monstro que eu sou. Por enquanto, eu continuo ouvindo a madrugada, me convidando pro vazio, silêncio e solidão que só ela pode oferecer.
Herman Hesse me entenderia.
Quando se é prometido que algo não deve sair de duas pessoas, é assim que tem que ser. Pelo jeito, essa é uma das minhas características boas.
Cada vez mais eu fico mais convencido que nasci pra morrer sozinho. O meu melhor não é suficiente, e nunca vai ser.
Fechado demais, equilibrado demais, raciocino demais antes de tomar qualquer atitude e acabo cometendo os mesmos erros, decididamente não dá certo, ninguém gosta de um robô. Sei que faz muito tempo que eu não me sentia tão vazio assim, tão triste. Vamos esperar pra ver o que acontece.
Ainda bem que eu adoro ser tio.
Titãs, em Marvin já dizia "e ele sentiu todo o peso do mundo em suas costas". Deixo claro: se precisar, derrubo na porrada. To com o saco cheio de mentiras e falsidades. E eu sou bobo e trouxa, eu sei. Mas manipulação tem limite, amizade.
um felicíssimo abraço a quem fô da sua família.
Hoje fiquei sabendo que uma conhecida tinha morrido. Umas horas depois, me ligam:
- Cara, não sei como te dizer. O Fabíolo me ligou pra dizer que a Epaminondas morreu. Os médicos tavam falando...
- To ligado, já tava sabendo. Acidente vascular, né?
- É. Como você tava sabendo?
- Recebi pelo orkut. A filha dela me avisou.
- Pô, fiquei mó triste.
- ...
- Então, pelo que eu to sabendo domingo é o velório. Está afim de ir?
- Cara, eu acho que não. Eu nunca tive lá muito contato com aquele povo. Acho que seria hipocrisia eu aparecer lá.
- Mas cara, aí você tá viajando. Todo mundo lá gosta muito de você, inclusive a Epaminondas sempre perguntava como você estava.
- Mas cara, eu não gostava dela.
- ....(silêncio constrangido) hahaha, por isso que eu sempre digo que você é o cara.
Sinceramente, a minha sinceridade dói. E eu racho de rir de tão preocupado.
Não lembro onde nem quando, mas há muito tempo eu vi uma pesquisa que dizia que a palavra mais falada no mundo é "eu". Isso reflete bem como o mundo funciona, cada um por si.
Infelizmente, um indivíduo pensa em primeiro lugar, em si. Em segundo lugar, em como vai se destacar no mundo. Em terceiro, como poderia usar o resto do mundo para si. Em última hipótese ajuda os outros, desde que isso não o atrapalhe em nada. Ah sim, esta última hipótese só é considerada se a pessoa necessitada pode dar algo em troca.
Não sou idiota a ponto de pensar que não sou assim. Sei que sou, também tenho meus traços egoístas. A diferença é que sei que sou assim, e nunca reclamo por estar sozinho no mundo. Por sinal, sou solitário sempre que possível.
Eu só estou escrevendo sobre toda essa baboseira porque hoje tava pensando no quesito "conselhos" e dei risada sozinho. Já chego lá.
Tava pensando com a minha metade (composta de gordura adiposa) sobre como o mundo é covarde. Várias e várias vezes na minha vida pessoas vieram me pedir conselhos. Eu tenho uma característica que contribui muito para a minha solidão: sou extremamente sincero quando necessário. Nunca fui de ficar dando rodeios, com raríssimas exceções manipuladoras ou por ser introvertido e não mostrar meus problemas a ninguém.
Sou sincero, se me perguntam "tava pensando em fazer tal coisa" e eu sei que tal coisa é ruim, eu falo "você vai se foder por tal coisa". Sempre tive facilidade em pensar hipoteticamente, e quando um problema me é apresentado eu automaticamente calculo umas quinze prováveis consequências de cada ato possível. Se eu achar que posso fazer alguma coisa, ou no mínimo que esta pessoa precisa ouvir, eu falo. Explico minha linha de raciocínio e todas as possíveis consequência de cada ato. Agora vem o lado covarde da humanidade: ninguém ouve as coisas ruins.
Hahaha. Eu e um dos meus três leitores (sim, agora são três, Arnaldo Jabor que se cuide) sempre ríamos de um conhecido que sempre dizia "Aí você tá viajando" quando se falava que ele vai se foder com algo. E sim, ele sempre se fodia, do jeito que eu avisei. Não foram uma, duas ou três vezes. Conto por baixo uns trinta avisos, e uns trinta "Aí você tá viajando". Depois, com o tempo eu notei que ele não queria saber se o que ele tentava fazer estava certo ou não; ele queria que eu falasse "sim, você está certo" e passasse a mão na sua cabeça, e depois que tudo ia por água abaixo, ele vinha se queixar, e não queria ouvir um "eu te disse" ou "aguente as consequências". Ele queria um "é, o mundo é cruel, né?" seguido de um cafuné bem gostoso no cocoruto, com sorvete de chocolate acompanhando.
Pois é, ninguém quer ouvir coisa ruim, eu entendo isso. Mas é necessário. E sim, o mundo é cruel. Sinceramente, não entendo muita coisa nas pessoas que andam por aí, e uma delas é a mania de achar que tudo é injusto e que tudo deveria ser mais fácil. Qual o problema de enfrentar o mundo, como todo mundo? Em vez de se lamentar, levantar do sofá e fazer alguma coisa? Acho que isso é causado pelo egocentrismo, por achar que "o mundo existe pra eu brilhar". Quando percebem que não é bem assim, o mundo cai por água abaixo.
Um conhecido meu sempre fala que eu sou sincero. Demais. Chega a doer. E eu estava pensando que essa minha sinceridade é fruto do que eu passei e consequências psicológicas e blablabla. No resumo, eu esfrego o mundo na cara da pessoa, e não dou rodeios. Eu queria muito que o resto do mundo fosse assim também.
Ah sim, eu sei que existem vários "eus" e "meus" escritos por aí nesse texto. Eu não sou diferente do resto mundo.
"Mas eu me mordo de ciúme" - Roger, Ultraje a Rigor
Sim, eu também tenho ciúmes. Me controlo pra não demonstrar isso e principalmente não infernizar a vida dela. Aliás, se não tivesse pelo menos um pouquinho, ficaria em dúvida se realmente a amo. Agora, cá entre nós: existe um abismo entre ciúmes normal e ciúmes doentio/possessivo.
Ciúmes normal é um sentimento que eu considero bom, significa que se tem medo de se perder a outra pessoa. Se existe o medo, é porque se gosta. Considero ciúmes normal aquele em que se sente uma pontada de raiva em algumas situações, porém nunca nenhuma atitude é tomada quanto a isso. Se deixa a outra pessoa viver.
Ciúmes possessivo é o pior. Já sofri isso com uma antiga namorada, não é possível fazer absolutamente nada, tudo tem que ser ao lado da parceira. Vida individual, nem pensar.
Ciúmes doentio eu aprendi a relevar e suportar. Mas paciência tem limite, né?
Eu encaro qualquer relacionamento amoroso como uma amizade extremamente bem sucedida em que se transa quando desejado/possível. Existem os apoios, os conselhos, os desabafos, as brincadeiras, conversas e tudo o mais que qualquer amizade bem sucedida tem. Num relacionamento amoroso existe também o sexo e o afeto característico.
No meu modo de ver, amizades e relacionamentos amorosos são muito semelhantes, e logicamente um nunca substituirá o outro.
Infelizmente, muitas pessoas pensam que relacionamentos amorosos são coisas totalmente excepcionais, em que se deve prender ou vigiar a outra pessoa. Aí nasce a merda do ciúmes doentio.
Como dizia o grande poeta contemporâneo Seal em Dreaming in Metaphors:
"Love serenade, soothe me with the morning sun. Help me find someone peaceful and non-judgemental. Holdin' me back, and make me feel whole with life. And stay the same. Life. Without the pain."
Troca-se o "find someone" por "make her", pra não falar que está perfeito.
Um casal, no meio de uma conversa:
- Sabe querida, eu tenho pensado tanto em viajar.
- Eu também, querido. O dinheiro está curto, mas podemos pensar em algo.
- Você tem alguma idéia? - pergunta o homem
- Quem sabe Ucrânia? Dizem que o carnaval deles é ótimo. - responde entusiasmada a mulher.
- É... por mim está perfeito - responde o homem, e pensa "Mas eu disse na década de setenta que queria ir ver o campeonato de baseball camaronês. Ela nunca me entende."
O tempo passa e a mulher fica preocupada. Está feliz por ter combinado a viagem com o homem, acha que está tudo certo. Mas o homem está seco e evasivo com ela. Após alguns dias disso, a mulher pergunta pro homem:
- Meu bem, aconteceu alguma coisa?
- Não.
- Eu fiz alguma coisa?
- Não meu bem - responde o homem olhando para baixo, escondendo a irritação.
- Eu to preocupada com você. Você anda tão estranho ultimamente. Qualquer coisa, basta me falar.
- Já falei que você não fez NADA! - responde o homem, pensando em como a mulher não o entende nunca. Não bastam todas as indiretas que ele deu para mostrar que a viagem não é do seu agrado?
Pois é. Pense em tudo isso com os papéis invertidos, é assim que
funciona.
Lista de perguntas masculinas nestas situações:
1) Você está bem?
2) Aconteceu alguma coisa?
3) Eu fiz alguma coisa?
4) Eu não fiz alguma coisa?
5) Você quer falar alguma coisa?
6) Você não quer falar alguma coisa?
Respostas femininas:
1) Não.
2) Nada.
3) ... (silêncio total, com um olhar de "você sabe muito bem o que fez")
Eu estava conversando com um passarinho verde outro dia sobre a diferença entre homens e mulheres. As mulheres dizem "homem é tudo igual". Pois é meninas, tenho algo a dizer: vocês também são. Só muda a cor da calcinha e a marca do absorvente.
Sim, homens são crianças e tapados, não prestam atenção a detalhes (isto é característica do gene Y, sabiam?), porém são mais tapadas vocês que se recusam a sentar e conversar sobre os problemas, achando que o homem é obrigado a ter uma bola de cristal e saber que o campeonato de baseball camaronês é muito mais interessante que o carnaval ucraniano.
"o lobo da estepe"? ouch.é, muitas vezes a incompreensão é o que resta, todos muito ocupados dentro de seus próprios... read more
on Madrugada